ANÁLISE DO ESPAÇO DOMÉSTICO A PARTIR DOS PONTOS TRATADOS NO LIVRO DE HERTZBERGER
Partindo do dormitório percebo a relação de privacidade que o ambiente proporciona em relação aos demais ambientes, além da cor totalmente branca, que torna o ambiente aberto a expressividade da pessoa que o habita. Também vejo muito ressaltante o fato da polivalência em quase todos os ambientes, assim como no próprio dormitório, visto que são brancos e básicos, sendo assim, podem ser facilmente transformados em outros ambientes, como escritórios ou closets, por exemplo.
A casa possui três dormitórios, sendo três moradores, ou seja, cada morador tem seu ambiente privado, um espaço/território demarcado que, por sua vez, estimula que cada usuário possa exercer sua personalidade em seu determinado ambiente privado. Contudo o ambiente ao mesmo tempo que é muito estimulante e abre margem para diversas modificações e expressões, acaba que por aconchegar o usuário na situação em que se encontra, e nada acontece em relação as diversas possibilidades abertas.
"É todo branco, confortável, não sinto necessidade de fazer mudanças radicais", é o que mais se passa na minha cabeça toda vez que penso em projetar qualquer modificação no espaço. Acredito que os estímulos e incentivos no espaço não foram bem pensados e planejados, talvez a ideia do arquiteto fosse somente entregar um espaço simples e que satisfizesse o conforto necessário do cliente.
Esse fator também pode ser encontrado na área central, de maior espaço e comumente transformada em sala de estar e sala de jantar, pois o grande espaço abre margem a diferentes perspectivas sobre o espaço, criando uma polivalência de diferentes formas de uso.
Partindo para uma escala maior, percebe-se as janelas e portas que não podem ser modificadas, termo assinado em contrato inclusive, por esse motivo, acabam bloqueando o nível de expressividade do morador no seu espaço privado, todos devem seguir um modelo padrão, e isso coloca todos tipos de personalidades e gostos "presos" a um só.
Todas as janelas são de vidro e, pela falta de cortinas, transparecem uma quebra da relação de privacidade do ambiente e ainda, criam uma conexão entre o espaço público e privado, tendo em vista que ao quebrar a privacidade do ambiente, o vidro também expõe o apartamento à visão de quem está de fora, tornando, de certa forma, o espaço privado em um espaço público-privado, onde quem está de fora tem acesso ao que acontece dentro do espaço.
Embaixo das escadas pode-se observar a presença de um espaço vazio, mas que sempre se encontra alguma coisa deixada por ali, como encomendas ou guarda-chuvas, por exemplo. Dessa forma, cria-se um espaço de depósito ao deixar esse espaço livre sem função alguma além da de suportar a escada, fazendo relação com o tópico sobre o espaço habitável entre as coisas.
Dentro desse pensamento, pode-se ligar à colocação de forma e interpretação de Hertzberger, em que um espaço vazio, que possui sua forma natural, tem diferentes interpretações de acordo com quem vê e recebe aquele espaço para ser articulado. Nesse ponto de vista, existe também um espaço na sala de estar que, por sua vez, não tem funcionalidade específica alguma, mas cada morador enxerga uma possibilidade para aquele espaço. No meu apartamento, por exemplo, o espaço é deixado livre depois do sofá, mas já pensamos em colocar uma mesinha ou quadros para preencher esse espaço. Porém, na vizinha do andar de baixo, já obteve outra perspectiva de uso do espaço, tornando-o espaço do próprio sofá, onde ele fica encostado na parede e que talvez, para ela, isso signifique maior conforto.
Acredito também que falta espaços que incentivem a interação e relação entre os moradores do prédio, essa relação acontece em escala pequena, mas só acontece por se tratar de um prédio de poucas famílias, três no total, sendo assim, o espaço pequeno cria relação de maior convívio, porém, ainda assim não existem espaços que criem incentivos reais para que essa ligação se fortifique, poderiam, por exemplo, ser anexados bancos na entrada, que por sua vez, permitiria que moradores passassem maior tempo naquele espaço jogando conversa fora.
Além disso, todos andares tem janelas distribuídas por todo seu contorno, criando visão para todo o redor do prédio, o que se faz ter sempre noção do que está acontecendo por todo o espaço do prédio. Essa sensação se amplia ainda mais pelo fato de todas janelas serem proporcionalmente grandes. Porém, sente-se muito a falta de sacadas, que além de expandir ainda mais essa ideia, criaria também um espaço de "respiro" aos moradores.
É válido ressaltar que todo o apartamento é zoneado territorialmente, isto é, espaços são divididos para determinadas funções pré-determinadas pelo arquiteto (dormitórios, cozinha, sala de estar, sala de jantar, banheiros e lavanderia), porém a maioria desses espaços permitem que sejam reavaliados e transformados em outras funções.
No quintal está presente um jardim, jardim esse que cria maior sensação de pertencimento do morador ao espaço prédio, pois todos são livres para criar suas hortas nesse jardim e, plantando e cultivando sua própria horta, o indivíduo está, de certa forma, estabelecendo maior vínculo com aquela região, firmando sua presença no espaço.
Ressalta-se também que, a área aberta cria espaço para que os cachorros do prédio brinquem e gastem energia, sendo muito bem aproveitada nesse sentido, mesmo que a função inicial não fosse essa. Esse fator é muito proveitoso, visto que os espaços dentro de cada moradia não possibilitam um bom proveito para os cachorros.
Verifica-se que o ordenamento dos blocos um e dois do prédio são idênticos, porém, o terceiro bloco (terceiro andar) é distribuído de forma diferente, visto que é um duplex e possui áreas mais espaçosas, além da área de lazer privada, sendo assim, quebra a equivalência de distribuição dos apartamentos no prédio e a cobertura ganha destaque de quem vê de fora.
Retomando a ideia de demarcação privada no espaço, ressalta-se esse fator na presença de garagens únicas e individuais para cada família residente. todos tem direito a uma vaga delimitada e que deve ser respeitada, isso se concretiza ainda mais quando cada família recebe seu próprio controle do portão elétrico, que por sua vez, abre diretamente para a garagem especificada como sua.
Acredito que no contexto geral o prédio exerce bem sua forma convidativa, a presença de uma área comum como a área de churrasco, onde famílias e amigos podem se reunir, é um bom exemplo, mas ainda assim, poderia ser explorada de maneira mais qualificada.
Nesse sentido, expandindo para uma escala ainda maior, a rua do prédio é muito pouco movimentada, se trata de uma região residencial com presença de grandes terrenos vazios, e moradores recentes, por se tratar de uma rua recente. Isso gera uma relação fria e pouco proveitosa dos moradores com o espaço público rua. Dificilmente se percebem crianças de residências vizinhas brincando pelas ruas, ou até mesmo moradores conversando nas calçadas. Isto é, há pouquíssima relação dos moradores da região com a rua pública, mas isso provavelmente se explica pelo fato de ser uma rua ainda muito nova e de moradores recentes. Mesmo assim, sente-se falta de incentivos e aprimoramentos da forma convidativa do espaço que, por sua vez, poderia tornar a rua mais frequentada e desejada.

















Análise feita por Alvaro, Lorena e Sabrina: Demonstra que leu o livro e domina os conceitos tratados por Hertzberger. Descreve muito
ResponderExcluirbem os ambientes e utiliza fotografias e desenhos, o que facilita ainda mais a compreensão
do espaço em questão. O texto embora às vezes parece um pouco repetitivo, está bem
articulado e os conceitos são apresentados de maneira fluida ao serem relacionados com o
espaço. A forma com que mostrou diferentes formas de usar determinados ambientes
deixou o texto mais interessante.