ESTUDO FOTOGRAFIAS ROBERT MAPPLETHORPE E LETIZIA BATTAGLIA
Letizia Battaglia
Letizia Battaglia, nascida em 1935, foi a primeira fotojornalista siciliana a retratar conflitos da máfia e situações policiais. Desde 1971, quando começou a fotografar, sua obra era estritamente ligada à cidade de Palermo, documentando, principalmente, entre 1974 e 1980, a época mais violenta da “guerra da máfia”.
Battaglia também documentou a situação dos bairros mais pobres de Palermo, os movimentos políticos, o despertar de novos comportamentos sociais. É possível, analisando suas abordagens, que Battaglia sempre encarou a fotografia como meio de denúncia e de intervenção social. Além disso, a força expressiva e a formalidade são uma assinatura inconfundível de suas obras e a tornaram um dos nomes mais importantes da fotografia europeia de sua época.
A famosa boutade de Robert Capa – “Se suas fotos não são boas o suficiente, é porque você não estava perto o suficiente” – virou quase um lema do fotojornalismo. No caso de Battaglia, porém, o fotógrafo não está apenas perto do fato – está dentro dele. É claro que em toda fotografia, de qualquer fotógrafo, a localização e a atitude de quem capta a imagem (e, por identificação, de quem a olha) é parte integrante dela, de uma forma ou de outra. Mas, no caso de Battaglia, a imagem não é só o resultado de uma observação mais ou menos aproximada, é um embate em que a fotógrafa está fisicamente engajada.
Essa imagem retrata um olhar de esperança da menina em contraponto com o semblante sofrimento do homem a sua frente. Esse contraste também é possibilitado pela utilização de luz e sombra, uma vez que a foto é majoritariamente escura, trazendo um ambiente carregado pela negatividade, enquanto a menina é evidenciada pela claridade, dando-a mais leveza, como uma certa comparação entre “as trevas e a luz”. Tal iluminação também viabiliza o foco na menina que, mesmo em segundo plano, é para onde os olhares se convergem.
Mapplethorpe
Robert Mapplethorpe nasceu em 1946 no Queens. Em 1963 ela ingressou na Pratt Institute, onde estudou pintura, escultura e desenho. Em 1969, ele e Patti Smith mudaram-se para o Chelsea Hotel. Mapplethorpe adquiriu uma câmera Polaroid em 1970 e começou a produzir suas próprias fotografias para incorporar nas colagens, dizendo que sentiu que "era mais honesto".
No final dos anos 1970, Mapplethorpe começou a se interessar cada vez mais por documentar a cena S&M de Nova York, tornando-se um grande representante das causas LGBT. Sua vertente mais impactante foram as fotografias eróticas – principalmente as que retratam o universo sadomasoquista. O erotismo é, na realidade, fio condutor de seu olhar sempre. Até mesmo as flores parecem emitir uma força erótica em seus retratos.
Naturalmente, por conta da época (décadas de 70 e 80) e do conservadorismo existente, tentaram conter a força do trabalho, considerado subversivo, de Mapplethorpe. Livros foram recolhidos, exposições foram embargadas, políticos, religiosos e juízes em geral declararam publicamente repúdio e horror à obra de Mapplethorpe – que cresceu, diante do público e da classe artística, tanto pela força e beleza quanto pela contundência da revelação que parece trazer em cada retrato.
Em 1986, foi diagnosticado com AIDS e, apesar de sua doença, ele acelerou seus esforços criativos, ampliou o escopo de sua investigação fotográfica e aceitou encomendas cada vez mais desafiadoras. Infelizmente, em 1989 ele faleceu, prematuramente, aos 42 anos, devido à
Esta foto é um dos registros de natureza morta de Mapplethorpe. Nela, há a utilização de um forte contraste entre preto e branco (luz e sombra), que, entretanto, não tira a sutileza e delicadeza da flor, muito pelo contrário, o fundo preto evidência excepcionalmente a flor e a iluminação contida nela. Além disso, a luz é posicionada em cima da flor, no lado esquerdo, criando assim um ponto de luz mais acentuado na parte superior da flor e uma leve sombra em sua parte inferior que, por não ser brusca, constrói uma fluidez e leveza.
Outra característica interessante da obra de Mapplethorpe é a erotização, nessa foto, embora não seja uma foto de nudez ou sadomasoquista (temáticas amplamente observadas em suas obras), há uma certa sensualidade na abordagem utilizada.
Já essa foto de Mapplethorpe, “Jim e Tom, Sausalito”, da coleção “X-portfolio” é de temática sadomasoquista, temática essa considerada como subversiva na época de sua atividade (décadas de 70 e 80). A imagem é marcada por uma cena de nudez que, pela utilização da luz e sombra, é destacada pelo fotógrafo. Além disso, esse ambiente escuro remete há uma obscuridade da ação realizada pelos modelos, contribuindo para um aumento da carga sexual da foto.
Fazendo um paralelo com o contexto da época, a homossexualidade era condenada pela estrutura social existente. Tendo isso em vista, o local retratado na foto tem um aspecto de abandonado e “escondido”, remetendo a impossibilidade de pessoas lgbt exporem e assumirem os seus relacionamentos e opções sexuais na esfera pública.






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